terça-feira, 1 de abril de 2014
bar-vagão
Eles dançavam com suas vestimentas dentro de um vagão, um bar-vagão, com janelas pequenininhas, em chamas. Como se não existisse dor. Como se não estivesse queimando. Passando pela rua por perto, eu só vi o vermelho das chamas em movimentação delicada e sincronizada. Escutava garrafas de whisky explodindo. Andava eu, acompanhada de duas pessoas, que não faz muita diferença o rosto, porque eu não me lembro. Passava bem perto das janelas exaurindo fogo, a grande estranheza é que eu não me queimava. Pelo contrário, eu estava apática. Nenhuma reação. Nem de ajuda, Nem de sofrimento alheio; “eles que são os bêbados, que se entendam” pensei. Notei mais que a rua era de pedras, talvez pelo meu fascínio por ruas de pedra. Velharias, como sempre. Eu sabia de uma única coisa, eu queria chegar em algum lugar e nesse lugar tinham coisas escritas que me interessavam muito. Não me pergunte o que, porque eu vou responder que não me lembro, de novo. Eu apenas queria muito aquilo. Era meio real, coisas de rainha, e de histórias confidênciais de trono e sucessão. Caminhando pela rua de pedra, me dei conta de uma sala, na direita, meio caída. Entrei lá com os dois desconhecidos-conhecidos, e estava em escrituras bem grandes e claras no chão : ” Do que adianta o que foi escrito, se o que realmente importa, é o que eu vou escrever a partir de agora?”. Pronto, acordei.
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