Nestes ruins tempos de material e nauseante industrialismo, a fase do coração é curta, o amor vem temporão, e como que apodrece antes de sazonado. De toda a parte, aos ouvidos do mancebo vem a soada do martelar da indústria. A sociedade, aparelhada em oficina, não dá por ele, se o não vê a labutar e mourejar no veio da riqueza. Títulos, glória, homenagens, regalos, as feições todas da festejada máscara, com que por aqui nos andamos entrudando uns aos outros, só pode ser afivelada com broches de ouro. Dislates do amor empecem o ir direito ao fim. O coração é víscera que derranca o sangue, se com as muitas vertigens o vascoleja demais. Faz-se mister abafar-lhe as válvulas e exercitar o cérebro, onde demora a bossa do cálculo, da empresa, da sordícia gananciosa, e outras muitas bossas filiadas ao estômago, o qual é, sem debate, a víscera por excelência, o luzeiro perene entre as trevas que ofuscam as almas.
Camilo Castelo Branco, em Doze Casamentos Felizes (1861)
quarta-feira, 21 de maio de 2014
a dor nas pernas adorna as pernas
de tanto enroscar em suas cobertas tão
ternas
de tanto te amar entre os meus joelhos
roxos
tudo ao contrário, amor, criam paradoxos
e pra falar de avesso é assim que me sinto
quando tu me toma, lento, feito um vinho
tinto
e bêbado de mim tropeça minhas costelas
dança sem vergonha canções agora tão
belas
a nossa ressaca, meu bem, é de não levantar
e a vida vira cama, tonta, de tanto a gente girar
e ali passam horas e dias, tudo de novo
começa
volta a dor nas pernas, os hematomas e a
nossa falta de pressa.
de tanto enroscar em suas cobertas tão
ternas
de tanto te amar entre os meus joelhos
roxos
tudo ao contrário, amor, criam paradoxos
e pra falar de avesso é assim que me sinto
quando tu me toma, lento, feito um vinho
tinto
e bêbado de mim tropeça minhas costelas
dança sem vergonha canções agora tão
belas
a nossa ressaca, meu bem, é de não levantar
e a vida vira cama, tonta, de tanto a gente girar
e ali passam horas e dias, tudo de novo
começa
volta a dor nas pernas, os hematomas e a
nossa falta de pressa.
sábado, 3 de maio de 2014
A to Z
de onde a vai pra z
de onde d vai pra s
de onde amassos
viram abraços
e beijos em desejos
de onde travesseiros
viram cheiros
e cigarros desvirtuados
ficam na janela
de onde d vai pra s
de onde amassos
viram abraços
e beijos em desejos
de onde travesseiros
viram cheiros
e cigarros desvirtuados
ficam na janela
quinta-feira, 1 de maio de 2014
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Vou começar dizendo que te amo. Não vou dizer isso no final, porque não vai ter final. Você vai ficar bem aí do jeito que tá, com mais uma Semolina aí dentro e vai ficar tudo bem. Meu afilhadinho amado vai ganhar uma irmãzinha e eu vou ganhar mais uma afilhadinha, mais uma irmãzinha. E eu vou cuidar de vocês. De vocês 3. Vou dormir aí na sua cama gigante, eu você, e nossos bebês. E eu sei que eu sou sua bebê também porque você sempre me diz que eu nunca cresci, eu continuo sendo a Nana, sua Nana. Uma pessoa tão amada que criou meu apelido, precisa continuar. Eu sei que tem espaço pra mais uma. Eu sei que tem. Tem espaço pra choros, pra roupinhas e brinquedos. Tem espaço pra gargalhas e beijinhos, pra carinhos e cafunés. Aliás seu cafuné sempre foi o melhor. E sempre será. A Tia do Cafuné precisa ficar. Precisa ficar comigo. Preciso do seu cheirinho, Dri. Preciso dos teus conselhos, das tuas broncas sobre tatuagens erradas e não geradoras de fluxo de energia. Preciso. Eu vou cuidar de você. Sempre vou estar por perto, me espera.
sábado, 26 de abril de 2014
Eu tô cansada desse moralismo todo. Dessa gente tão cheia de palavras e ocas por dentro. Tô cansada de ouvir - pense no seu futuro. E se quiser o agora? O hoje? E se eu quiser o nada? Os teóricos dirão que burrice, promiscuidade. " Vai ser o melhor pra você, um investimento''; porque a gente tem que sempre pensar em fazer algo pelo simples prazer de ter algo em troca mais vantajoso. Quero poder fazer pequenas e prazerosas coisas que não me darão nada em troca, num futuro, pelo simples fato dela ser suficientemente prazerosa no hoje e isso ser uma vantagem. Será que é muita maluquice isso? A cada segundo do dia eu concordo mais e mais com Sartre - o inferno são os outros. O comum. Meu maior medo, o comum. O gigantesco se mistura com o microscópico na minha mente, os quilômetros se misturam com o tempo, o meu tempo. E o prazer momentâneo se mistura com ele. É tudo tão grandioso e sem importância devidamente merecida. Não gosto muito de coisas grandiosas, nem pessoas grandiosas. Sou muito mais aquela pessoa maneira, meio estranha que a gente conhece numa ida ao bar mais próximo, que pede teu isqueiro e bate um papo cabeça e duradouro, sem muitos esforços. Acho que o que me entorna é algo pequenininho mas que faz roubar o coração, que a gente não consegue viver sem. Acho que esse é meu objetivo e da maneira a qual eu sempre desejo ser: discreta, meio que chega chegando devagarinho, e com os pequenos detalhes vai se tornando especial. Detalhes. A vida é cheia deles, e poucas pessoas os enxerga ou simplesmente os ignora. Apesar de acreditar que isso não seja pra muitos, mas a maioria escolheu isso, pelo simples fato de deixarem suas mentes serem corrompidas pelo comprometimento adulto e da ''vida dura''. Ter a ingenuidade da mente de uma criança pra mim, ainda é uma das coisas mais bonitas que o homem pode fazer/ter.
domingo, 13 de abril de 2014
Bagunça meio preto e branco
Ele é uma mistura meio chocolate branco com mancha de vinho na roupa. Ele virou a parte da bagunça da minha vida, a bagunça que todo mundo precisa. A bagunça com cheiro de chocolate e mancha de vinho na roupa. Uma bagunça meio listrada em preto e branco, meio zebra. Meio filme em preto e branco. Papéis de bis branco por todo quarto ou transformadas em bola. Bola igual bagunça. Ainda não sei se me perco no meio dos travesseiros, ou barba e lençóis. Talvez em todos. Talvez nos seus dedos. Ou na sua pele completamente palpável e cariciável. Faz frio, a gente se aperta, e aí faz calor. Fumamos por isso. Tem uma lista, uma lista de filmes. Talvez uma desculpa pra te ver de novo? Se foi ele ou a vida, não sei. To vivendo. Tem uma zebra engraçada que se esconde de quando em quando, não sei onde. De qualquer maneira, em qualquer final, Obrigada, se foi ele ou a vida, não sei to vivendo. E eu gosto de uma zebra. De uma zebra bagunçada.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
Com amor
''Grilo da madrugada, diga-me por que é assim? Grilo da madrugada, diga-me por que sempre vai ser assim? Grilo, é você mesmo ou minha consciência que está pesada?
O cigarro esquenta meus dedos conforme a madrugada avança. Queria que fosse sua mão. Mas não. Não. Estou sozinha, deitada. Tão sozinha que ouço os fios das lágrimas de um sonho, que algum dia poderia ser concretizado. Com você. Quem sabe esse dia não é hoje. Não mais hoje. Talvez fosse ontem. Por hoje não posso mais me vangloriar de pertencer aos seus mais sinceros risos, seus lacivos lábios ou doces olhares que tanto me satisfaziam.''
Angonese Daniela
O cigarro esquenta meus dedos conforme a madrugada avança. Queria que fosse sua mão. Mas não. Não. Estou sozinha, deitada. Tão sozinha que ouço os fios das lágrimas de um sonho, que algum dia poderia ser concretizado. Com você. Quem sabe esse dia não é hoje. Não mais hoje. Talvez fosse ontem. Por hoje não posso mais me vangloriar de pertencer aos seus mais sinceros risos, seus lacivos lábios ou doces olhares que tanto me satisfaziam.''
Angonese Daniela
terça-feira, 1 de abril de 2014
Avisos importantes
Ele não presta, ela me disse
Tudo bem, respondo
Ele não sabe do valor, ela disse
Tudo bem, respondo
Não perca seu tempo, ela avisou
Tudo bem, respondo
Você vai sofrer, ela alarma
Tudo bem, respondo
Ele tem tudo que quer, afirma
Tudo bem, eu respondo
No final não vai dizer que eu não avisei
Tudo bem, respondo.
Mas alguém me perguntou se eu estou dando muita importância pra isso?
Ou se eu também não poderia fazer o mesmo?
Obrigada.
Tudo bem, respondo
Ele não sabe do valor, ela disse
Tudo bem, respondo
Não perca seu tempo, ela avisou
Tudo bem, respondo
Você vai sofrer, ela alarma
Tudo bem, respondo
Ele tem tudo que quer, afirma
Tudo bem, eu respondo
No final não vai dizer que eu não avisei
Tudo bem, respondo.
Mas alguém me perguntou se eu estou dando muita importância pra isso?
Ou se eu também não poderia fazer o mesmo?
Obrigada.
São os mais belos olhares
a mil
Que quiseras flores jasmim
Sucumbiu.
a mil
Que quiseras flores jasmim
Sucumbiu.
São pássaros à voar
E os mais velhos barcos
À navegar.
E os mais velhos barcos
À navegar.
São os corações à palpitar
E as mãos à devaniar.
E as mãos à devaniar.
São lençóis suados
Beijos molhados.
Beijos molhados.
São viagens nos longos cabelos
Não tenhas receios, medos.
Não tenhas receios, medos.
São futuros à esperar
de um destino à nos integrar.
de um destino à nos integrar.
São janelas abertas
À sonhar
E a ti amor, esperar.
À sonhar
E a ti amor, esperar.
bar-vagão
Eles dançavam com suas vestimentas dentro de um vagão, um bar-vagão, com janelas pequenininhas, em chamas. Como se não existisse dor. Como se não estivesse queimando. Passando pela rua por perto, eu só vi o vermelho das chamas em movimentação delicada e sincronizada. Escutava garrafas de whisky explodindo. Andava eu, acompanhada de duas pessoas, que não faz muita diferença o rosto, porque eu não me lembro. Passava bem perto das janelas exaurindo fogo, a grande estranheza é que eu não me queimava. Pelo contrário, eu estava apática. Nenhuma reação. Nem de ajuda, Nem de sofrimento alheio; “eles que são os bêbados, que se entendam” pensei. Notei mais que a rua era de pedras, talvez pelo meu fascínio por ruas de pedra. Velharias, como sempre. Eu sabia de uma única coisa, eu queria chegar em algum lugar e nesse lugar tinham coisas escritas que me interessavam muito. Não me pergunte o que, porque eu vou responder que não me lembro, de novo. Eu apenas queria muito aquilo. Era meio real, coisas de rainha, e de histórias confidênciais de trono e sucessão. Caminhando pela rua de pedra, me dei conta de uma sala, na direita, meio caída. Entrei lá com os dois desconhecidos-conhecidos, e estava em escrituras bem grandes e claras no chão : ” Do que adianta o que foi escrito, se o que realmente importa, é o que eu vou escrever a partir de agora?”. Pronto, acordei.
Mas Vó...
a gente dorme com as feridas no peito
por tentar amar
o resto fica tudo assim por desleixo
deixa errar
o enjôo sobe e desce
a paz adormece
não minta
se antes não era amor
era algo parecido
distinguido
aos olhos de uma mulher
o resto fica tudo assim por desleixo
deixa errar
o enjôo sobe e desce
a paz adormece
não minta
se antes não era amor
era algo parecido
distinguido
aos olhos de uma mulher
Barulho do Trem da Madrugada
penso nas pessoas que morreram
nas que viveram
antecederam e sucederam
nas que viveram
antecederam e sucederam
penso nas mortes de ontem
nas de amanhã
nos trens passados
futuros roubados
nas de amanhã
nos trens passados
futuros roubados
penso no pseudo eu quero ser
e no talvez amanhecer
e no talvez amanhecer
Jantar
Ele era bonito. Cheio de perfume caro e cheio de formosuras. Ele me lembrava um quadrado. Não o adjetivo quadrado que qualifica-o como chato. Mas o quadrado substantivo. Um queixo quadrado, ombros quadrados, nariz com uma mini quadradinho na ponta. Ele tentava agradar à todos. E conseguia. Era engraçado, e me servia de mais comida. Infinitamente educado e altamente diplomático. Em suas lentes não havia uma única imperfeição. Ele tinha uma mulher, loira. Uma loira linda de cabelos curtíssimos e olhos azuis. Com uma postura sempre correta e que não fazia um movimento que lembrasse que poderia estar confortável naquela cadeira. Eles combinavam, ele com sua beleza estonteante morena, profunda e definida. E ela com uma beleza que algum dia, provavelmente, foi leve, frágil. Já a loira, me lembrava um lenço branco, bem fininho, quase transparente. Maleável. Mas essa fragilidade foi corrompida com o tempo, por ele. Pelo quadrado moreno. Na outra cadeira, tinha uma mulher meio esquisita, meio , digamos, desprezível. Ela fazia brincadeiras de mal gosto e piadas sem graça. Era baixinha, com umas pernas bem finas segurando uma barriga bem desproporcional ao seu corpo. Não tinha delicadeza. Mas no fundo havia uma beleza, bem antiga. Eu achava o quadrado e o lenço lindos. Eles se encaixavam. Assim como uma caixa de presente com um lenço fazendo um laço. Mas essa caixa de presente se desmoronou quando o diplomático moreno e altamente educado, virou para a alvi-beleza e disse quase em cores ” Cala a boca, mulher!”. E acabou a descrição por que eles se desmancharam dentro de mim, e viraram duas pessoas ordinárias. E nesse momento, eu desejava ficar conversando com a mulher simples, e meio desprezível.
Alcaparras Alcachofras
Tinha poesia na rua
vendedor de poesias
vendendo almas
Tinha blues na música
com sorvetes
e um soxofone preto
e uma gaita normal
Tinha tatuagem na pele
na pele enrugada e velha
Tinha um mercado pobre
com alpargatas com cheiro de alcaparra sendo alcachofra
Estava eu fazendo algo que sempre faço. Meio bizarro, podemos dizer, mas lá estava eu olhando a máquina de lavar. É, eu faço isso, passo horas refletindo com o nariz grudado na tampa. Vendo as roupas rodando e imaginando em que elas poderiam estar pensando. Sim, as roupas pensam. Tudo pensa. Até a água pensa. Sabe de outra coisa também que eu gosto? É tomar banho no escuro escutando música bem alta. Comer um ovo quando a fome está te matando junto com um café bem quente. Eu ponho meia pra dormir só para ter o prazer de quando o colchão está bem quentinho, tirá-la. Acho que os pés ficam mais sensíveis. Mas a melhor sensação mesmo é quando alguém penteia seus cabelos, bem devagar. Gosto de sentir as unhas recém pintadas e o barulho do vinil sendo arranhado. São coisas em que faço questão de observar com calma. E me fazem pensar no que vai acontecer daqui pra frente…
Dois de Dezembro
Eu odeio sentar naquela cadeira e olhar para as mesmas árvores que eu olhava, sentada na mesma cadeira, às nuvens em seus mesmos horários. Era tardezinha, lá para umas quatro horas e quarenta minutos. Aquela sala tem o mesmo cheiro quando sento naquela cadeira e olho pela janela. Essa cena prioriza os pares, enquanto ele só gostava do ímpar. Do sete para ser mais exata. Só de pensar nessa fotografia eu já repasso tudo que acontece. Posso estar lá pro sul, mas quando penso nessa cadeira e nessa janela, pego um vôo direto pro Rio de Janeiro. Aquilo algum dia foi-se apenas uma cadeira e uma janela, e aquela vista foi apenas uma vista. Não depois do dia Dois de Dezembro. Aos sofrimentos e lágrimas, estávamos sentadas na sala, de luto por um único amor de todas as nossas vidas. Um para todas. Todas para Um (sim, com letra maiúscula no meio da frase). Tomávamos chá, um muito do sem gosto pra ser sincera, com umas bolachas dispensáveis. Quietas. Fingindo que tudo se passou. E os fantasmas da saudade nos apavorando e devorando como um ácido por dentro. Como se não bastasse meus olhos, meu coração era a definição da cor roxa escuro. Ela se arriscou, e com dor e inconsciência, nos questionou sobre o maior dos problemas : a data. Era dia Dois de Dezembro. Um número par. De um um mês par. De um último mês. De um último ano. Foi o pior dos dias. Quando ouviu a resposta e abriu as portas para a realidade, era o aniversário do amado. As lágrimas tomaram conta de seus olhos, não escreverei a palavra novamente, porque elas nunca haviam os abandonado. E foi nessa exata hora, que me fez eternizar o momento da cadeira-janela-nuvens-tarde. Quando vi o sofrimento estampado, colado, massacrado em sua expressão da alma, olhei para a janela, respirei fundo, fiz questão de me sentir presa à cadeira ( sentindo o resto da vivacidade que ainda havia em mim), tinha nuvens lindas no céu. Nuvens laranjas. Da cor daquelas nossas nuvens italianas que diz que vai chover no dia seguinte que só você sabia pronunciar suas raízes tão belamente, por mais que eu tentasse aprender. Eu nunca vou pronunciar o r do seu jeitinho. Porque você não tá mais aqui pra me corrigir. Você também não está mais aqui pra eu te abraçar com aquele cheirinho de madeira. Eu odeio aquela janela. E odeio porque se eu fechar os olhos, eu ainda posso sentir o frescor daquele ventinho batendo no meu rosto e secando a umidade das lágrimas. Aquele frescor que alivia a dor, que faz sua alma pulsar. Eu acho que eu odeio mais ainda aquela cadeira, com aquela mesa, junto com a janela, porque foi lá que eu e a minha irmã, fizemos a sua última festa de aniversário. Foi surpresa. Acordamos às cinco da manhã pra fazer tudo, de um dia Dois de Dezembro. Lembro-me perfeitamente dos seus sorrisos, e dos seus beijos de agradecimento. Eu te amei tanto naquela hora daquele beijo, que eu me foquei tão forte, mas tão forte que eu guardei ele pra sempre no meu peito. Os números ímpares foram aumentando junto com a minha conformidade e aceitação mas não a minha saudade. Ai, essa me dói tanto. Eu amar você. Eu vou escrever errado, pois depois de muitas interrogações em relação ao tempo verbal para usar, eu descobri que eu amei, eu amo, e eu amarei, portanto, eu AMAR você! Um sentimento eterno. E agora, dou risos de saudades.
É que dá vontade sabe? Vontade de quebrar tudo. Desarrumar o que está arrumado, quebrar uns vidros, socar rostos, vomitar de tanto nervoso. Dá vontade de xingar, arrancar meus cabelos. Não. Uma coisa que eu aprendi com a minha mãe, é que nessas horas você imagina uma privada. Imaginou? Agora enfia a cara lá dentro e grita o mais alto que você conseguir. Funciona, ô se funciona. Pra dar uma melhorada na eficiência você imagina seu corpo totalmente invertido e sua cabeça enfiada na privada verticalmente. O desespero era tanto que eu não só imaginava, mas realmente enfiava a cara na privada e gritava, e meus gritos vazavam pela casa, e depois saía andando de nariz em pé, e nada havia acontecido. Mas ultimamente a maneira de voltar ao normal é pensar em mim. Em tudo que eu já fiz . Não me dando à importância mas pensando em por quantas coisas eu passei . Aí vem logo uma boa taça de vinho na minha cabeça, um papelzinho e uma caneta. E se a vida é curta demais para se beber maus vinhos, mas porque raios me dá tanta raiva na hora ? Mas outra coisa que eu aprendi faz pouco tempo, é me dar ao respeito. Porque todo mundo é muito sábio quando se usa sábias palavras. O complicado, meu amigo, é virar essas palavras pra gente mesmo. Fiquei sabendo que um casamento de 31 anos de uma muito amiga, acabou. Porque ele a trocou por outra. Não vou falar sobre esse assunto, pois meus olhos enchem de lágrimas e perco as forças só de me por eu seu lugar, e se o amor fosse meu. Não tenho aguentado ver filmes sobre isso, ouvir músicas sobre isso, nem ler livros sobre isso. Mas não pude evitar de ouvir esse final sem feliz. Acontece que eu estou tão feliz. Tenho sentido tanto orgulho de dizer o meu anteriormente do amor . Mas está aí, a vida tá passando, tá seguindo, o tic-tac tá batendo, o sangue correndo. Pra no final pensar "a vida é boa, irmão". Eu tenho pensado nisso tudo pra acabar com a minha vontade de explodir garrafas de vinho na parede e me acalmar. Achei o meu eu pra voltar à escrever. Pensar de novo "calma, tudo têm dois lados pra gente olhar" e ao invés de olhar pra esse lado meio violento e sem jeito, eu tô aprendendo à olhar o outro. Minha respirações mais profundas agora são de acalanto e calmaria. Imagino um milhão de passarinhos saindo de mim e me desfazendo quando respiro desse jeito. Imagino eles indo embora, sem ter previsão de chegada até conseguir o que eles queiram. Pra pensar em como tudo pode passar, se ajeitar. Não sentir remorso e você receber os beijos mais verdadeiros entre todos os poetas românticos.
Menina, tu és maleável. Não sejas assim. Antes a vida te dê uma surra, vai-te e muda. Tu pareces aqueles camaleões, tudo que te aparece tu ficas igual. Sei lá, é que eu sou chata pra isso. São minhas características, minhas definições, meus letreiros e dou tanta importância à eles que tu deverias hacer lo miesmo. Tu és especial demais pra alguém, um simples alguém tirar isso de você. Te impõe. Enche o peito,aumenta a música e esvazia quando for dormir, mas não desliga a música...
Eu havia me esquecido de como aquele vento frio na cara era bom. Eu havia me esquecido de como aquela casa era confortável e de como era bom ser querida em algum lugar, de como era bom andar naquela rua sozinha, e de como eu a achava bonita antes de ir embora. E agora eu a acho muito mais bonita que antes. Os passos iam e minha mente se afogava nas lembranças, em quantas vezes eu andei por aquela rua, chorando ou sorrindo. Nos últimos tempos, mais sorrindo de tanta cerveja do que outra coisa. A rua era lindo. Eu vi um pôr-do-Sol desenhado no chão, e eu fazia questão de olhar pra ele todas as vezes que eu passava por ali. E hoje, não foi diferente. Indo visitar uma velha, velha amiga. Ele tava lá, do meu jeitinho, e as gaivotas continuam lá. E eu quero que ele fique lá até eu carregar uma mãozinha pequenininha junto da minha, e mostrar - filha, aqui a mamãe via o pôr-do-Sol. Eu acho lindo porque era do mesmo jeito que eu desenhava o pôr-do-Sol quando eu era criança, e acho que meu maior desejo em todas as vezes que eu desenhava, era que aquilo algum dia fosse verdade. Verdade que eu iria ver uma metade de Sol laranja, amarelo e vermelho. Era bem assim. Tinha tantas gaivotas pretas e simples que por vezes até estragava meu desenho. Porque eu gosto muito delas, das gaivotas. O mar do mesmo laranja, amarelo e vermelho. Tinha até uma veleiro. Era bem pequenininho em relação ao tamanho do meu Sol. Eu ainda não achei esse pôr-do-Sol na minha vida, mas acho que eu tô chegando bem perto dele. Eu já sinto até o calor me arrepiando devagarzinho. Acho que é por isso que durante minha vida toda, até agora, minha luz favorita seja essa laranja durante um fim de tarde. As pessoas ficam mais bonitas, mais pensativas. É uma luz que traz paz. Me traz felicidade interna. Porque é isso que é felicidade pra mim. É felicidade interna, é você conseguir sentir um sentimento incontrolável que você não sabe exatamente o que é. Tá ficando de tardezinha, tô começando a sentir o calor...
?
Agora eu tenho medo: tenho medo da lagartixa que pode cair no meu cabelo no banho, tenho medo de não acordar pra uma prova, tenho medo do barulho da máquina de lavar na madrugada. Desses entre tantos outros, que eu adquiri eu admito, fiquei medrosa. Aprendi a fazer o arroz do meu jeito, e não sei mais fazê-lo diferente. Aprendi o que é ciúmes, aprendi o que é ter ciúmes, aprendi o que é amar, e aprendi o que é deixar ser amado, e aprendi a deixar amando. O ato de abrir e fechar as janelas umas 3 vezes ao dia. Medo de mim. Medo de deixar você. E o medo do medo.
"É, tá difícil..." foi a última coisa que eu a ouvi dizer ao sair pela minha porta lateral. Porque a porta lateral? Não foi por essa que ela entrou e sim pela outra, pela principal. Pessoas importantes devem sempre usar a porta principal e nunca a lateral. Tristeza talvez não seja a palavra seja que nesse caso se comporta como um adjetivo, acredito que o que me defina no dia de hoje seja decepção. Sim, eu estou decepcionada com as pessoas, comigo. Estou decepcionada com tamanha raiva e falta de paciência, com tamanho desrespeito a qualquer ser humano. Isso que dá a gente transformar a imagem de uma pessoa em um ser imaculado, acaba gerando decepção porque assim como escrito na minha caneca favorita e torta diz " ninguém é perfeito". Porém com o tempo eu fui mudando de concepção e realmente, ninguém é perfeito, mas todo mundo entrou numa zona de conforto que o o "não perfeito" e continuamente errante tá ótimo, excelente! Eu não tenho a vontade de ser perfeita, mas sim a vontade de melhorar e abrir minha mente deixando de errar de tanto bater nas mesmas teclas. Alguém me ensinou a superar os fatos, a continuar. A esquecer e perdoar. Mas o que acontece quando você percebe que seus heróis e e seres imaculados prematuramente também não querem ser perfeitos. Observar seus erros doem. Doem tanto que dá vontade de não perdoar, de não esquecer e de se afastar. O grande amor da minha vida está se esvaindo e usando palavras tão amargas que eu nunca imaginei que uma boca tão doce e linda pudesse falar. Tá difícil, tá difícil: essas últimas palavras não querem sair de jeito nenhum da minha cabeça; Ficou tudo tão monótono, tão chato. O brilho foi embora. Tédio. Saudade. Gosto de voltar, mas se soubessem como me faz mal ver que tá tudo meio fragmentado, tudo meio indo e quebrado. Parece que alguém já morreu e só esqueceram de levar. A comida não é a mesma. A cama, o cheiro, as roupas, a beleza, tudo mudou. E mudou pra ruim. É ruim de desesperança que parece que a vida vai acabar amanhã. É um ruim de que o tempo acabou, o tic-tac tá em seus últimos segundos e logo vai ser o tac definitivo. Ela própria assumiu o status de desistente. Se soubesse como isso acaba comigo, como isso me quebra e me desestimula, pensariam 1 bilhão de vezes antes. Mas não. Todos os dias, de pouco em pouco ela tá me matando com ela. Não posso falar meus sonhos, na minha imensa vontade de casar e ser mãe, na minha vontade de ter uma lua de mel, não posso falar do meu amor que tudo parece tão minúsculo pra ela que não assume nenhuma importância. Mas, se não me quer, quem vai querer? Ela era minha melhor amiga. Amiga que agora só sabe reclamar e me fazer sofrer de tristeza. Acho que deveria existir um Lei em que afirma " É PROIBIDO DESTRUIR SONHOS DE JOVENS MULHERES E DE QUALQUER TIPO DE PESSOA!" O de jovem mulher pois é o qual me encaixo: sonhos de jovens mulheres. Nunca deveriam nos dizer que tudo algum dia vai acabar e que é uma grande besteira. Não quero mais, não quero mais esse sofrimento. Eu quero continuar sonhando mesmo sabendo que seja uma grande besteira. E acho que mesmo dessa vez, eu ainda não vou parar de criar uma imagem imaculada das pessoas que eu amo, porque elas podem QUERER continuar errando. Talvez o errar seja o certo pra sermos perfeitos. Mas sei lá, vou continuar no meu mundinho a uns 2.000 km de distância de casa e ver aonde ele vai dar. Ninguém sabe, só eles sabem.
Sambinha de 1 nota só
Como é possível que 3 notas possam mexer tanto comigo? Só 3 notas. Dão-me tanto frio na barriga quanto um beijo na hora certa. No escuro do meu silêncios das madrugadas das minhas noites elas ficam se repetindo. Deve ser alguma coisa pra mim. Sei lá.
Bolo de Laranja com validade infinita
O que me atrai são coisas simples. Não é papinho de humildade, ou ser legal e diferente. É que realmente, na minha história sempre foi assim. Não uma história pequena, mas coisas pequenas peculiarmente diferentes. Não é que eu eu queira ser assim e que grandes coisas não me atraiam. Mas as pequenas me chamam mais atenção que as grandes. Apesar de chegar perto dos nossos 360 dias juntos, acho que você ainda não entendeu por completo e talvez me ache metida por isso, talvez não, talvez seja só mais uma vez eu pensando coisa errada. Só quero completar esses 360 dias e ter certeza que você me conheça, apesar de já saber disso. Eu queria poder te conhecer melhor, queria quebrar um pouco de alguns muros que você deixou pra mim. Nas horas que eu sei que você está dedicando aquele momento seu só pra me amar e esquecer todo o resto, você destrói esses muros e assim eu te enxergo por inteiro, com toda a sua dureza de espírito e fragilidade de alma. É esse quem eu amo. E se eu tiver que passar o resto da minha vida destruindo esses muros, pode esperar que eu vou fazer isso. E não vou desistir nem nas minhas horas mais fracas. Vou amar você com ou sem barba. Vou amar você com ou sem dinheiro. Vou amar você com ou sem emprego. Vou amar você com ou sem vinho. Vou amar você com ou sem nada. Porque pra essa frase e eu estarmos completas, só precisamos de 3 palavras nelas : vou amar você. Nunca te contei isso, mas espero que você leia e vá revivendo. Não é mentira mas meu coração bateu diferente desde a primeira vez que eu te vi e desde então ele vêem batendo com essa diferença, mas eu fiquei no meu silêncio. Lembra daquele dia, que tivemos uma reunião de boas vindas? Você sentou na minha frente do outro lado da mesa com a minha pulseira de couro no punho e vestia uma de suasqueridas branca? A gente já havia se beijado no chão da cozinha. Enquanto todo mundo falava aquele bando de merdas que eu não estava nem um pouco a fim de dar atenção, eu fiquei surda. Fiquei surda e passei só a te olhar. Foi naquela hora que eu comecei a reparar na sua beleza. Não na sua beleza externa, mas se lembra da minhas mania com as pequenas coisas? Então, a partir daí meu sinal de felicidade se tornou o seu estalar de dedos quando você não tem nada pra fazer mas está pensando no que fazer, porque é nessa hora que eu sei que você chegou e eu posso te arrancar um beijo. Eu lembro do gosto do nosso primeiro, eu sei disso porque ele tinha gosto de bolo de laranja. Eu te achei tão lindo ao ser o único ser humano do planeta a conseguir enfiar um bolo na boca por inteiro. Eu amo até a sua chatisse quando fica bêbado porque você fica lindo tentando disfarçar dizendo que não está bêbado e fingindo estar sóbrio. Eu amo seus cílios e a maneira perfeita em que suas mãos se encaixam no meu corpo. Eu amo te desconcentrar com as minhas coisas idiotas e palhaças só pra conseguir arrancar um sorriso seu e você me olhar com uma cara de " puta merda, o que você tá fazendo?" e mexer no meu cabelo até eu te beijar. Amo você pedindo pra eu cantar a música dos quadrados. Amo quando você entorta o nariz quando não quer me falar alguma coisa. Eu amo a maneira como você me acha ridícula. Pô, a lista é tão grande que a gente pode combinar uma noite só pra falar disso, mas isso seria impossível porque você vai começar a roncar. Eu tinha jurado não fazer planos pra gente, mas inconscientemente eu os faço. Faço planos. Mas são planos desorganizados, mas é só pra você saber que eles existem em mim e não são poucos.
A ironia é que hoje é o dia da voz e eu fiquei completamente muda. Eu fiquei muda com coisas que eu só imaginava que via, antes fosse cega pra não ter que passar pelos dias e ver o que vi. Ter que passar pelos dias e ter que ver tanta gente prepotente. Porque meu Deus? Porque isso? A gente não tem o direto de colocar ninguém pra baixo, isso significa ninguém. Agora eu aprendi o que significa dizer que realmente, somos todos iguais. Porra amigo, não é um papinho moralista, mas ter que lidar com esse tipo de gente é nojento, é podre. Não ando entendendo certas atitudes, ao conseguirmos alguma coisa devemos ficar felizes e não com o sentimento de superioridade. Somos todos tão diferentes, vivemos em situações tão diferentes e por isso não deve-se impor sua opinião sobre ninguém. O melhor que eu tô aprendendo é guardar sua opinião pra você mesmo porque no fundo no fundo só você que se importa com ela. Não é porque você conhece 2 ou 3 lugares do mapa que você é foda. Não é porque você entrou pra faculdade que você é melhor do que uma pessoa que nunca esteve em uma. To com tanto nojo desse tipo de gentinha que dá vontade de rir e deixar ir, e vai, vai embora logo e me deixa quieta no meu canto porque das minhas coisas eu sei e e do meu tempo sou eu que vivo. E vocês, pessoas prepotentes e melhores que todos desse mundo, só uma dica: VÃO TOMAR NO CÚ!
Posso aceitar sua lancha desde entenda meu veleiro
Saiba que eu não preciso de um carro ou dinheiro pra ser feliz. A questão não é que eu não queira uma lancha, mas um veleiro pra mim já tá ótimo. Porque o que eu quero disso é só ter um lugar em que eu possa me jogar na água entende? Que eu possa levar meu equipamento de mergulho, nossas mochilas, eu e você. Um lugar que eu possa dormir olhando as estrelas e ouvindo várias vezes minha música favorita. E uma cama em que a gente possa dormir e sentir um ao outro. Um lugar em que eu possa cantar pra você bebendo vinho, comendo queijo. Um lugar que nós possamos sentir um ao outro de verdade. Só eu e você. Nosso compromisso. Sem celular. Sem família. Sem trabalho. Sem estudo. Só nós. Sinto falta desse nós, porque só falar eu e você não significa que sejamos um " nós". Preciso te sentir, essa é a questão. E você precisa entender que eu não sou de muito. Se quer me dar um presente, me dê um beijo, mas um beijo, daquele que só você sabe dar. É um dos presentes que eu mais gosto. Ou beija minha nuca, deita no chão comigo e vamos olhar pro céu e esquecer o celular um minuto. Ou vamos beber até começar a rir muito e voltarmos a sermos jovens e amantes. Vamos ver coisas lindas que fiquem guardadas só nas nossas mentes, como fotografias nossas, não precisamos tirar foto para os outros. Pra gente tá bom só. Puxe devagar meu cabelo, você notará que todas as vezes que faz isso, me arrepia. Ou me olhe do jeito que mostre-me que me deseja ainda. Vamos fazer nossos corações voltarem a pular dentro do peito até tremer a perna. Acabou o vinho, abrimos outro. Não é hora de dormir, vamos nos curtir. Vamos intercalando as músicas, pode até ser só músicas suas, não me importo. Entenda amor, que eu até posso aceitar sua lancha desde que entenda meu veleiro. Se me jurar ter momentos de veleiro em sua lancha pelo resto de nossas vidas, eu não tô nem aí para onde esteja navegando, desde que sejamos vivos e amantes. Desde que você entenda a essência das coisas e não seu preço ou tamanho. Desde que você entenda que eu seja assim, essência. Uma flor bonita faz conquistar meu dia, ou uma boa conversa, um sorriso, um abraço, um carinho. Não preciso de coisa cara. Peço que me entenda, pois por enquanto, meu veleiro vai continuar sendo minhas opção. Sinto falta disso na gente, amo-te.
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