quarta-feira, 30 de abril de 2014

Vou começar dizendo que te amo. Não vou dizer isso no final, porque não vai ter final. Você vai ficar bem aí do jeito que tá, com mais uma Semolina aí dentro e vai ficar tudo bem. Meu afilhadinho amado vai ganhar uma irmãzinha e eu vou ganhar mais uma afilhadinha, mais uma irmãzinha. E eu vou cuidar de vocês. De vocês 3. Vou dormir aí na sua cama gigante, eu você, e nossos bebês. E eu sei que eu sou sua bebê também porque você sempre me diz que eu nunca cresci, eu continuo sendo a Nana, sua Nana. Uma pessoa tão amada que criou meu apelido, precisa continuar. Eu sei que tem espaço pra mais uma. Eu sei que tem. Tem espaço pra choros, pra roupinhas e brinquedos. Tem espaço pra gargalhas e beijinhos, pra carinhos e cafunés. Aliás seu cafuné sempre foi o melhor. E sempre será. A Tia do Cafuné precisa ficar. Precisa ficar comigo. Preciso do seu cheirinho, Dri. Preciso dos teus conselhos, das tuas broncas sobre tatuagens erradas e não geradoras de fluxo de energia. Preciso. Eu vou cuidar de você. Sempre vou estar por perto, me espera.

sábado, 26 de abril de 2014

Eu tô cansada desse moralismo todo. Dessa gente tão cheia de palavras e ocas por dentro. Tô cansada de ouvir - pense no seu futuro. E se quiser o agora? O hoje? E se eu quiser o nada? Os teóricos dirão que burrice, promiscuidade. " Vai ser o melhor pra você, um investimento'';  porque a gente tem que sempre pensar em fazer algo pelo simples prazer de ter algo em troca mais vantajoso. Quero poder fazer pequenas e prazerosas coisas que não me darão nada em troca, num futuro, pelo simples fato dela ser suficientemente prazerosa no hoje e isso ser uma vantagem. Será que é muita maluquice isso? A cada segundo do dia eu concordo mais e mais com Sartre - o inferno são os outros. O comum. Meu maior medo, o comum.  O gigantesco se mistura com o microscópico na minha mente, os quilômetros se misturam com o tempo, o meu tempo. E o prazer momentâneo se mistura com ele. É tudo tão grandioso e sem importância devidamente merecida. Não gosto muito de coisas grandiosas, nem pessoas grandiosas. Sou muito mais aquela pessoa maneira, meio estranha que a gente conhece numa ida ao bar mais próximo, que pede teu isqueiro e bate um papo cabeça e duradouro, sem muitos esforços. Acho que o que me entorna é algo pequenininho mas que faz roubar o coração, que a gente não consegue viver sem. Acho que esse é meu objetivo e da maneira a qual eu sempre desejo ser: discreta, meio que chega chegando devagarinho, e com os pequenos detalhes vai se tornando especial. Detalhes. A vida é cheia deles, e poucas pessoas os enxerga ou simplesmente os ignora. Apesar de acreditar que isso não seja pra muitos, mas a maioria escolheu isso, pelo simples fato de deixarem suas mentes serem corrompidas pelo comprometimento adulto e da ''vida dura''. Ter a ingenuidade da mente de uma criança pra mim, ainda é uma das coisas mais bonitas que o homem pode fazer/ter.

domingo, 13 de abril de 2014

Bagunça meio preto e branco

Ele é uma mistura meio chocolate branco com mancha de vinho na roupa. Ele virou a parte da bagunça da minha vida, a bagunça que todo mundo precisa. A bagunça com cheiro de chocolate e mancha de vinho na roupa. Uma bagunça meio listrada em preto e branco, meio zebra. Meio filme em preto e branco. Papéis de bis branco por todo quarto ou transformadas em bola. Bola igual bagunça. Ainda não sei se me perco no meio dos travesseiros, ou barba e lençóis. Talvez em todos. Talvez nos seus dedos. Ou na sua pele completamente palpável e cariciável. Faz frio, a gente se aperta, e aí faz calor. Fumamos por isso. Tem uma lista, uma lista de filmes. Talvez uma desculpa pra te ver de novo? Se foi ele ou a vida, não sei. To vivendo. Tem uma zebra engraçada que se esconde de quando em quando, não sei onde. De qualquer maneira, em qualquer final,  Obrigada, se foi ele ou a vida, não sei to vivendo. E eu gosto de uma zebra. De uma zebra bagunçada.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Com amor

''Grilo da madrugada, diga-me por que é assim? Grilo da madrugada, diga-me por que sempre vai ser assim? Grilo, é você mesmo ou minha consciência que está pesada?
O cigarro esquenta meus dedos conforme a madrugada avança. Queria que fosse sua mão. Mas não. Não. Estou sozinha, deitada. Tão sozinha que ouço os fios das lágrimas de um sonho, que algum dia poderia ser concretizado. Com você. Quem sabe esse dia não é hoje. Não mais hoje. Talvez fosse ontem. Por hoje não posso mais me vangloriar de pertencer aos seus mais sinceros risos, seus lacivos lábios ou doces olhares que tanto me satisfaziam.''

Angonese Daniela

terça-feira, 1 de abril de 2014

Avisos importantes

Ele não presta, ela me disse
Tudo bem, respondo
Ele não sabe do valor, ela disse
Tudo bem, respondo
Não perca seu tempo, ela avisou
Tudo bem, respondo
Você vai sofrer, ela alarma
Tudo bem, respondo
Ele tem tudo que quer, afirma
Tudo bem, eu respondo
No final não vai dizer que eu não avisei
Tudo bem, respondo.
Mas alguém me perguntou se eu estou dando muita importância pra isso?
Ou se eu também não poderia fazer o mesmo?
Obrigada.
São os mais belos olhares
a mil
Que quiseras flores jasmim
Sucumbiu.
São pássaros à voar
E os mais velhos barcos
À navegar.
São os corações à palpitar
E as mãos à devaniar.
São lençóis suados
Beijos molhados.
São viagens nos longos cabelos
Não tenhas receios, medos.
São futuros à esperar
de um destino à nos integrar.
São janelas abertas
À sonhar
E a ti amor, esperar.

bar-vagão

Eles dançavam com  suas vestimentas dentro de um vagão, um bar-vagão, com janelas pequenininhas, em chamas. Como se não existisse dor. Como se não estivesse queimando. Passando pela rua por perto, eu só vi o vermelho das chamas em movimentação delicada e sincronizada. Escutava garrafas de whisky explodindo. Andava eu, acompanhada de duas pessoas, que não faz muita diferença o rosto, porque eu não me lembro. Passava bem perto das janelas exaurindo fogo, a grande estranheza é que eu não me queimava. Pelo contrário, eu estava apática. Nenhuma reação. Nem de ajuda, Nem de sofrimento alheio; “eles que são os bêbados, que se entendam” pensei. Notei mais que a rua era de pedras, talvez pelo meu fascínio por ruas de pedra. Velharias, como sempre. Eu sabia de uma única coisa, eu queria chegar em algum lugar e nesse lugar tinham coisas escritas que me interessavam muito. Não me pergunte o que, porque eu vou responder que não me lembro, de novo.   Eu apenas queria muito aquilo. Era meio real, coisas de rainha, e de histórias confidênciais de trono e sucessão. Caminhando pela rua de pedra, me dei conta de uma sala, na direita, meio caída. Entrei lá com os dois desconhecidos-conhecidos, e estava em escrituras bem grandes e claras no chão : ” Do que adianta o que foi escrito, se o que realmente importa, é o que eu vou escrever a partir de agora?”. Pronto, acordei.